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quarta-feira, 21 de julho de 2010

Qual a melhor cor , para colorir meu coração ?

Entro no meu quarto. Cheira a tinta fresa pois fora acabado de pintar e o laranja assenta-lhe num tom perfeito, já que nem me parece ficar um tom demasiado 'pesado', nem um tom demasiado 'distante de mim mesma', se é que me faço entender. Fechei os olhos por breves momentos, e notei que os aromas que aquele lugar guardava rancorosamente, tinham sumido. Somente cheiro a tinta fresa, e só a tinta fresca cheirava.
Insistira com o meu pai, à uns dias atrás por uma divisão que estivesse pintada de acordo comigo mesma, pois aquele azul que me coloria as paredes, parecia-me mais um mar de solidão. Mal entrava pela porta adentro me sentia engolida sobre o rebuliço das ondas traiçoeiras que me engoliam para o  abismo.
Não sei bem, se digo isto, apenas com o intuito de me sentir bem comigo mesma, de apenas querer-me mostrar que aquilo que penso é em vão, não importa. Talvez aquele azul me trouxesse recordações a mais. «Más recordações» - penso eu por entre um fragmento de tempo, enquanto me agacho no quarto, me tentando reprimir por tudo o que passou a acontecer. A culpa é minha, de ser tão inocente. 


(Há 17 dias atrás...)  

Passeamos então pelas margens do rio Douro, ao som das buzinas de barcos que nos apitam, enquanto os turistas mais curiosos e engraçados, pegam as suas 'Nikon' das malas grandes e robustas e tiram quantas fotografias as suas máquinas suportam, suponho eu.
Beijamo-nos sem medos, e enquanto me pegas pela cintura, e me rodas no ar enquanto rodopias, sinto-me um pássaro sem asas que voa sem medos.
E então disponho-me a olhar o céu, contigo. Peguei a tua mão. Tenho medo agora, de fechar os meus olhos por breves momentos, com medo que tudo não passe de um maravilhoso sonho, espalhado por sua magnifica minuciosidade, e ao os abrir, acordar na minha cama, cumprindo a minha estúpida rotina.
« Sinto-me ali ! » - disse-te eu enquanto sorria com o brilho estampado nos olhos. Brilho esse que não se sumiu por mais que lhe implorasse. 
Apenas me ofereceste o sorriso de volta. «Se houveram palavras para citar, suspeito que as tenha preferido deixar suspensas no tempo»  - pensava eu ingenuamente, deixando passar o momento, enquanto inclinava a minha cabeça sobre a sua cabeça, ansiosa por um dos beijos seus.
Reich , o seu nome.

  Acreditei nas suas palavras doces. Palavras essas que me faziam crer, que os seu lábios eram como uma chave procurando um cofre que fosse ele realmente capaz de abrir. Mas fui caricatamente ingénua ao achar isso de mim mesma. Achar que podia eu ser capaz de trazer algum útil na minha misera vida.

-Minha querida Raquel - sussurrava-me ele ao ouvido - fizeste-me bem feliz.
Sorri desatinadamente, pegando a sua mão com a mais pura delicadeza. 
-Nunca esquecerás ?
-Nunca
Levei então os meus lábios aos seus. 
-Bem, adeus
Fiquei olhando permanentemente para seus olhos, recuando um passo.
-Até quando? 
-Até sempre, minha linda. Foste especial, acredita - disse-me ele enquanto me passava a mão sobre o cabelo fino e frisado - contudo, não sou de ficar meu amor. Não esperes por mim. Mas olha, prometo que nunca esquecerei. »

(...)

Sentei-me. Não relembro nada mais. Inclino agora a cabeça sobre a parede. O quarto estava vazio, fazendo eco sobre os gritos desesperados que solto, com a ajuda de minhas cordas vocais que estão mais fracas que nunca.




Não podes fugir disto para sempre Raquel...
Então, se não posso fugir para sempre deste meu medo, manter-me-ei, suficientemente longe dele para que este não me possa encontrar.

sara m. silva

7 comentários:

  1. Eu também, mas tenho perfeita noção que será complicado.

    Obrigado, este supera e bem o meu, és sempre tão profunda, tão boa a transmitir os sentimentos que os teus textos ficam todos espectaculares !

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  2. A vida é cheia de momentos, partilha-os descrevendo-os numa frase. Aceita o desafio que tenho no meu blog!
    Beijinhos ;D

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  3. Grande comentário xD.
    Quanto á área não te posso dizer nada até porque eu nao ingressei em humanidades pela falta de saída mas sim em científicos . Mas tal como o Antonio Lombo Antunes, posso ser Psicologo e Escritor, ou ter qualquer outra profissao em paralelo com a escrita . Logo se verá, tu foste para que área?

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  4. Bem, é muito simples... deixa-me ver se me consigo expressar antes da bateria se "ir".
    Vais para a página de "nova mensagem"; Metes "Definições"; depois por baixo dessa mesma barra clicas em "comentários"; depois há um tópico que diz "moderação de comentários" e clicas em "sempre" :D
    só isso

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  5. eu se fosse agora tambem teria ido para humanidades, mas nada está perdido e no futuro terei melhores oportunidades de empego.

    Beijinho :) e avisa quando postares algo novo ;D [ sou distraído ]

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  6. Muito fixe o texto. Uma vez mais prendeu a minha atenção, sempre desejosa de saber como se iria a história desenrolar.
    Beijos :)

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Obrigada pela visita